terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Início

Início...


Um tanto quanto clichê fazer o primeiro post de um blog se tratar de início, mas o clichê termina nos campos aonde se torna ironicamente atrevido dizer que é apenas um início.

Primórdio de um momento sempre executado, mas raramente demonstrado, como uma criança deformada escondida num quarto escuro de uma casa, como se fosse culpa dela sua aparência horrenda. Condenada a sofrer pela falta de exposição, até o momento em que ela vai gritar, bater e forçar a sua saída... Pois elas nunca morrem... A própria ilusão da inexistência da sua criança é reflexo da sua convicção, de sua certeza, tão clara como a lua cheia, que ela continua trancada no porão, se alimentando das sobras que passam pela fresta do assoalho da sala de jantar e do que você ainda tem coragem de entregar pela porta...

Pois bem, eu digo que o meu orfanato para crianças deformadas encontrou um novo membro... Entre belas sem uma orelha, faces queimadas em sorriso repuxados entre a agonia e o prazer, terríveis olhos cegos com um brilho opaco ao vislumbrar o mundo pelo toque de seus dedos, dementes em um canto contando e perseguindo as frestas e ranhuras da tinta na parede, ela irá ficar por perto, se manifestando quando for de seu prazer...


Conviver com seus monstros é divertido, construtivo...


Praticamente...

Orgasmático.

Um comentário:

  1. Sempre escandalizando... mas aproveite, muitos não viam brilhantismo nas poesias de Gregório de Mattos.

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